No mundo moderno, já estamos vivenciando os benefícios que a tecnologia oferece após ficarmos décadas presos a tecnologia arcaica e cara. Quem tem seus 30 e poucos ou mais se lembra dos telefones públicos, os conhecidos “orelhões” – que ainda existem em algumas cidades – que funcionavam a base de fichas para originar ligações. Agora pense que hoje temos aparelhos que cabem em nossas mãos que não somente fazem ligações, mas são verdadeiros computadores móveis.

Não muito distante, a Internet é muito recente. Em meados do ano 2.000 a nossa companheira do dia a dia entrou com força no mercado. Depois disso surgiram (e continuam surgindo) muitos recursos tecnológicos e, logicamente, estes recursos sempre precisarão de mão de obra qualificada para dar suporte e vida a todo esse aparato tecnológico que hoje conhecemos.

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O problema está justamente em analisar e entender como as empresas enxergam o profissional que precisa ter capacidade para gerir e atender aos anseios da empresa quando se trata de cuidar da parte de tecnologia, para que o negócio possa progredir e continuar a funcionar sem maiores problemas para o empresário que, no fim das contas, só tem um objetivo a alcançar: o lucro!

Analisando vagas de emprego que estão abertas no mercado de trabalho, é possível desenhar a visão do patrão sobre o profissional de TI: somos vistos como um verdadeiro canivete suíço.

Claro que, as vezes, nem o gestor da empresa tem culpa e, sim, o setor de RH da empresa que abre uma vaga simplesmente copiando os requisitos da vaga de outro anúncio de uma outra empresa, sem avaliar a necessidade daquilo que se pede como requisito e com o que realmente o profissional de TI vai precisar saber para realizar a sua função para o qual será contratado.

As empresas querem ter o melhor profissional de TI que o mercado pode oferecer, com certificações (as vezes de produtos ou tecnologias que a empresa nem usa), graduações específicas e muita, mas muita experiência que faz com que muitos candidatos nem tentem enviar seus currículos, pois, já na fase de leitura da vaga em aberto, se sentem excluídos naturalmente do processo seletivo.

Além da vaga de emprego pedir tudo e mais um pouco sobre tecnologia, o candidato precisar ter sempre um “Q” a mais e se sujeitar a receber o salário “compatível” com o mercado. Queria entender com qual mercado as vagas são comparadas, principalmente quando temos uma realidade regional bastante distinta sobre tecnologia e de valores salariais.

Enquanto que no eixo Rio-São Paulo se pede muito mais certificações em TI, em outras regiões se requisita mais graduações, ficando o critério dos requisitos técnicos para a vaga conforme a necessidade da empresa mas também dos requisitos que são “padrões” quando se trata da região de atuação do profissional de TI.

Por exemplo, tem empresas que esperam que um profissional de TI – como ele detêm conhecimento de tecnologia – que saiba, além de coisas de computador (software e hardware), que entenda de celular, câmeras de CFTV, alarme de incêndio, automação, etc. O profissional de TI é visto como um verdadeiro canivete suíço dentro da empresa e tem que estar preparado para qualquer demanda que tenha tecnologia envolvida. Mesmo que seja uma simples TV de Led que deu uma pane qualquer, logo o telefone do responsável de TI toca e ele é cobrado para dar o seu “parecer”, isso quando não precisa também consertar.

Desse modo, por fata de uma regulamentação da profissão, falta de registro de classe profissional como acontece com os advogados (OAB), com os Engenheiros (CREA), com os médicos (CRM), os profissionais de TI serão explorados continuamente pelo percado prostituído, onde muitas vezes as pessoas aceitam esses encargos por necessidade econômica. Também, por não existir uma regulamentação, empresas empregam qualquer profissional como profissional de TI, mesmo que a pessoa tenha uma formação em Administração mas fez uma Pós-Graduação ou MBA em tecnologia, por exemplo.

Contudo, as vagas vão continuar abertas requisitando certificações mirabolantes, décadas de anos de experiência, pagar salários injustos, cobrar do profissional de TI mais do que ele foi contratado para fazer e, no fim, todo Profissional de TI será sempre taxado simplesmente como o “Menino do TI“ ou o “Menino da Informática”.

– O Profissional de TI na visão das empresas: um Canivete Suíço! Disponível em: <https://www.profissionaisti.com.br/2019/09/o-profissional-de-ti-na-visao-das-empresas-um-canivete-suico/>. Acesso em: 16.outubro. 2019.